A linguagem esquecida da fitoterapia Ocidental

 In plantas medicinais

Os nossos povos ancestrais descreviam com o seu entendimento próprio, padrões de comportamento do ser humano nas suas doenças. O que isso significa basicamente, que eles tinham um vocabulário próprio para descrever padrões energéticos ou fisiológicos com que o corpo se manifestava.

O objetivo era conseguir expressar as atividades ou configurações de sintomas que o individuo apresentava, através de sistemas energéticos. Exemplos de sistemas energéticos são o yin/yang e os 5 elementos na Medicina tradicional chinesa, 5 elementos da medicina Áyurveda e os 4 humores da medicina grega. Na prática de uma medicina holística o uso de um sistema energético é imprescindível para a sua aplicação.

A biomedicina é construída sobre uma interpretação materialística da natureza que olha para a estrutura molecular como um guia. Já medicina holística é fundada no conceito e experiência que o organismo é uma unidade funcional, ou um todo com uma inteligência superior que tem a capacidade de se autorregular, auto corrigir a sua própria energia vital.

Por o organismo ter esta capacidade de se autorregular e de se auto curar   a medicina holística baseia-se na suposição que o organismo, pode retornar de um estado desequilibrado a um estado equilibrado. No entanto a biomedicina não procura curar o organismo ou trazer o organismo para uma autorregulação, mas sim remover ou repor as partes estragadas através de drogas ou cirurgia, é por isso que medicina moderna fala mais sobre manutenção da saúde e a medicina holística fala de cura, vitalismo e padrões energéticos.

A linguagem é intrinsecamente diferente, e para podermos praticar medicina holística ou fitoterapia tradicional ocidental com base nos padrões energéticos antigos temos que apreender um vocabulário novo que dê uma melhor interpretação aos sintomas.

No entanto deve ser entendido que as plantas podem ser usadas de ambas as formas, isto é, elas podem ser utilizadas para estimular os poderes auto curativos do organismo e trazer de volta ao seu próprio equilíbrio ou para artificialmente manipular o organismo com um objetivo específico.

Como por exemplo temos algumas plantas antibacterianas como a Hidrastis e Berberis que podem ser utilizadas em pequenas doses para tonificar a digestão e as mucosas removendo algumas tendências para infeções bacterianas e produção de muco, ou pode ser utilizada em doses abundantes por terem um antibiótico natural com o efeito antibacteriano.

Portanto uso das plantas de uma forma holística aumenta e otimiza a capacidade do organismo para combater a infeção, enquanto se usamos com objetivo de matar só as bactérias é já um exemplo de manutenção da própria saúde, porque assume que o organismo não tem capacidade intrínseca de conseguir tratar da sua própria infeção bacteriana. O uso das plantas com esta perspetiva não é holístico.

Portanto esta linguagem da medicina energética tradicional no ocidente foi de certa forma esquecida, mas ainda existe, e esta presente de uma forma evidente na lista de ações das nossas plantas.

Os termos específicos das ações das plantas também são energéticos no sentido em que eles podem se referir a uma ampla função fisiológica e não a uma lesão tecido especifica.

Existem duas subdivisões básicas de ações das plantas, uma referindo-se ao “estado dos tecidos” ou condição patológica, e o outro para o órgão ou local onde o agente (planta) opera.

A primeira categoria é composta por termos como adstringente, emoliente, mucilagem, estimulante, aromático, refrigerante, antiespasmódico, antisséptico.

O segundo refere-se aos órgãos ou funções locais específicas: diurético (rins), nefrítico (rins), expetorante (pulmões), peitoral (pulmões), diaforético (pele e febre), febrífugo (febre), calmante (sistema nervoso), emenagogo (promove menstruação), colagogo (estimula a vesícula biliar), etc.

Pode não ser aparente, mas a palavra adstringente é um termo energético. Se observarmos atentamente demonstra que se refere a um padrão energético. A condição em que um adstringente atua não é uma lesão molecular específica ou doença num sentido biomédico moderno, mas uma condição em que o tecido esta prolapsado e existe perda fluidos. Adstringentes contêm acido tânico que contrai os tecidos e previne prolapso e perda de fluidos. Assim, o termo adstringente refere-se a uma categoria energética – o que os chineses e os Médicos indianos, gregos ou árabes teriam chamado de “humidade”.

Estes termos trazem-nos para o tempo em que os médicos tratavam as doenças desta forma, e nessa altura drogas e plantas estavam intimamente relacionadas porque seus efeitos eram descritos em termos fisiológicos ou com afinidades locais.  Agora todas as drogas são aplicadas a alterações moleculares. Desta forma ao quererem utilizar as plantas medicinais na biomedicina moderna com a mesma inferência logica cometemos erros na terapêutica porque as plantas não funcionam desta forma.

Algumas vezes elas contem alguns componentes químicos que por sua vez matam bactérias, mas normalmente o seu efeito é baseado em um conjunto de outros químicos encontrados juntos na planta original. A razão pela qual as plantas são mais facilmente utilizadas com a abordagem antiga, isto é, para um tratamento de padrões fisiológicos no corpo em vez de tratar lesões moleculares especificas, é porque, de facto as plantas são uma serie de complexos químicos juntos. Estas combinações de químicos nas plantas agregaram-se na planta não por acaso, mas para resolver ou adaptar a uma certa dinâmica ambiental que a própria planta teve necessidade durante toda a sua evolução. Isto cria uma identidade em cada planta, e uma afinidade para determinados padrões presentes nos humanos.

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