Sorriso interior e Teoria Polivagal

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Sorriso interior

A prática do Sorriso interior é um exercício fundamental no Chi Kung em especial no Universal Healing Tao (UHT). Especificando o sorriso interior não é uma prática de Chi kung mas sim de Nei kung que significa pratica interna, ou exercício interno que ajuda a desenvolver cultivar o individuo internamente.

O Sorriso interior cultiva o eixo interno do coração e é fundamental porque desenvolve sentimento profundo de compaixão e aceitação primeiro por si mesmo e depois por tudo o que é o outro. Sem o sentimento de auto aceitação todos os outros exercícios tornam-se limitados desequilibrados. Sem aceitação estamos também em oposição e por isso criamos separação, dor e sofrimento desnecessário.

O sorriso interior aumenta a nossa habilidade para estarmos presentes e sentirmo-nos seguros em conflitos, discussões e mesmo quando existe violência. Permite-nos oferecer empatia a outras pessoas sem encontrarmos resistência. O sentimento caloroso, um silencioso sorriso de aprovação transmitido cria uma abertura a vários níveis de comunicação e na resolução de conflitos.

Para além destes atributos esta prática, cria também um tipo de energia chamada Yuan Chi ou Chi original, que é um tipo de energia neutra, não tem julgamento, culpa ou censura.

Ao longo dos anos foram se desenvolvendo varias variações desta pratica sempre com objetivo de desenvolver uma profunda compaixão e aceitação para nos mesmos e para com os outros.

Dr. Stephen Porges e a Teoria Polivagal

No ocidente nos anos 90 o Dr. Stephen Porges desenvolveu a teoria Polivagal. Esta teoria descompacta as relações que existem entre a neuro regulação das nossas vísceras e as funções do cérebro consciente (cérebro adaptativo). É muito comum ver indivíduos que somatizam stress de adaptação ou stress emocional com sintomas viscerais em vários sistemas, seja do sistema digestivo, como urinário, e mesmo cardíaco apresentam muitas vezes sintomas como dores de estomago, poliúria ou batimentos cardíacos acelerados.

A teoria polivagal propõe que a evolução do sistema nervoso autonómico dos mamíferos providenciou um ambiente neurofisiológico para estratégias de adaptação comportamental.

Através do estudo da filogenética da regulação do coração nos animais vertebrados, conseguiu-se o desenvolver uma teoria para testar a hipótese que relaciona mecanismos neurais específicos em comportamentos de envolvimento social, lutar ou fugir e fingimento de morte, um comportamento característico de algumas espécies ao estarem em perigo de morte.

Para além de outras mudanças nesta evolução dos percursos neurais desde espécies mais primitivas até aos mamíferos, o que mais é flagrante nas alterações é a conexão entre a face e o coração que evolui de antigos núcleos motores dorsais para núcleo ambíguo.

Isso resultou em uma ligação anatómica e neurofisiológica entre a neuro regulação do coração através do nervo vago e as vias eferentes viscerais que regulam os músculos da face e da cabeça, formando um sistema integrado de interação social. Isto é:

Quando o ambiente é reconhecido como seguro para o individuo, duas características importantes são evidentes:

Primeiro existe uma otimização da fisiologia do corpo de um modo eficiente, que promove crescimento e renovação via homestase visceral, promovido através um aumento na influencia das vias motoras vagais dos mamíferos que atua sobre ritmo cardíaco e diminui a frequência cardíaca, inibe mecanismos de lutar e fugir do sistema nervoso simpático, diminui o estimulo de resposta ao stress via eixo HPA (cortisol), e reduz a inflamação adequando reações imunitárias.

Segundo através do processo de evolução os núcleos do tronco cerebral que regulam o nervo vago integraram-se com os núcleos que regulam os músculos da face e da cabeça. Esta ligação resulta na junção bidirecional entre comportamentos espontâneos de interação social e condição do corpo. Sendo assim uma adequada inserção social integrada surge nos mamíferos quando a regulação neural das viscerais que promoviam e renovação fisiológica via nervo vago tinham também uma ligação neuro anatomofisiologia com uma regulação neural dos músculos que controlam o olhar, expressão facial, audição e prosódia.

O sistema nervoso humano, idêntico a de outros mamíferos, desenvolveu-se não somente para sobreviver em ambientes seguros mas também para promover sobrevivência em contextos perigosos e com risco de morte.

Para ter esta capacidade de flexibilidade de adaptação o sistema nervoso humano manteve mais 2 circuitos neurais para regular outras estratégias defensivas (comportamentos como Lutar e fugir e fingimento de morte). É importante notar que interação social, comunicação e homeostasia visceral são incompatíveis com os estados e comportamentos neurofisiológicos promovidos por os outros dois circuitos neurais que suportam as estratégias de defesa. Por isso a evolução do sistema nervoso humano manteve os 3 circuitos neurais, que estão organizados filogeneticamente por uma hierarquia. Nesta hierarquia de reações de adaptação, o circuito desenvolvido mais recentemente é usado primeiro, se este falha em providenciar segurança, os outros circuitos são restabelecidos sequencialmente.

Neurocepção: Percepção contextual de estados de adaptação e desadaptação.

Para eficazmente trocar de estratégias de interação social para mecanismos de defesa, o sistema nervoso mamífero tem que realizar duas tarefas para adaptação: 1) avaliar riscos, e 2) se o ambiente é reconhecido seguro deve inibir as estruturas límbicas mais primitivas que controlam comportamentos como luta, fuga ou congelar e desfalecer.

Qualquer estímulo que tenha o potencial para aumentara sensação de segurança no organismo tem o potencial para recrutar os mecanismos neurais mais avançados que suportam comportamentos pro sociais e de interação social.

O sistema nervoso através do processamento de informação sensória do meio ambiente e das vísceras esta continuamente a avaliar o risco.

A neurocepção representa um processo neural que permite humanos e outros mamíferos de interagir socialmente distinguindo contextos seguros ou perigosos ou ameaçadores. Neurocepção é o mecanismo que serve de mediador para ambos a expressão e a disrupção da interação social adequada, regulação de emoção e homeostase visceral. Esta neurocepção responde a intenção da voz, face, movimentos das mãos, vozes familiares, indivíduos com vozes serenas, e faces expressivas que promovem interação social e sensação de segurança que se manifesta em indivíduos com interações saudáveis. Ao contrário alguns indivíduos experienciam incompatibilidade e o sistema nervoso avalia o ambiente como sendo perigoso mesmo quando é seguro. Neste estado o individuo desenvolve uma condição neurofisiológica que promove comportamentos de lutar ou fugir ou de congelar mas não de interação social, pois os circuitos neurais menos desenvolvidos sobrepõem-se e criam um bloqueio a uma resposta mais adequada de interação social e promotora de uma homeostasia visceral. De acordo com esta teoria uma interação social adequada só pode ser eficaz quando estes circuitos neurais defensivos forem inibidos ou suprimidos por o circuito mais evoluído.

Esta teoria traz um insight importante que ajuda a compreender que diferentes elementos do nosso corpo como a face, rosto e coração e vísceras que estão ligados e que determinadas perceções ou neurocepções podem afetar as vísceras e a homeostasia fisiológica do nosso corpo.

Através do pratica do sorriso interior podemos ajudar a modular e transformar a neurocepção do individuo de uma forma positiva e otimizar a relação inconsciente que temos com o corpo criando bem-estar. Utilizando técnicas simples e eficazes desenvolvidas a milhares de anos pelos mestres taoistas. As técnicas de relaxamento facial, foco em determinadas partes da face e conectar com determinadas emoções ajudam o individuo a integrar uma consciência de corpo e mente que promove uma interação social e consigo mesmo mais adequada.

A Pratica deste exercício ao longo de algum tempo promove profundas alterações ao nível da ativação do sistema nervoso parassimpático “relaxamento” produzindo alterações fisiológicas no sistema endócrino, e digestivo. É possível com este exercício apreender a descobrir todo o corpo com a sensação de espanto e maravilha criando sempre uma presença em plenitude.

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